AUTORES:
Júlia Pereira Firmino
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Bruna Corrêa da Silva
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Rodrigo Amadeu Paulino
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Vinicius Gonçalves Marçal
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Correndo
em meio a multidão, me apresso para o tão aguardado encontro, desviando das
pessoas que passam, essas que transcendem a imagem do país de 1872 , cansadas
com todo o trabalho e esforço que
fizeram para se adaptar as mudanças e ficam
cada vez pior.
Ouço o
soar das baladas, quando vem a mente a frase escrita no Big Ben “Deus salve
nossa rainha Victoria”, o que me lembra a adorável Clare, jovem e destemida,
que me espera para o chá, algo muito despretensioso para ela, e que me causa
desespero e ansiedade.
Chegando
em sua casa de veraneio, meu coração palpita mais rápido e o mordomo me conduz
até a porta, que se abre e uma luz ofuscante me impede de ver nitidamente o que
ali se passa. Sem me dar conta, sou fascinado pelas flores que parecem
desabrochar para quem chega, um gramado verde se estende pelo chão como o mais
nobre tapete sob o qual flutuamos, os pássaros cantam formando uma bela
melodia, guiados pelo mestre da magnifica orquestra natureza.
Esse
esplendido cenário, só não supera os encantos da linda mulher que o habita, um
ser iluminado, que supera com força e coragem, as dores que o destino cruel e
faceiro deixou. A morte de seu marido a abalou, mas não o suficiente para tirar
a ternura de seus olhos, que prendiam os meus.
Nossos
beijos calorosos, nossas manhãs risonhas,
nossas tardes apreciando o alvorecer, todos esses pensamentos enquanto a
observo. Ela nota minha presença e se alegra, enquanto eu me entristeço, cada
demonstração de amor que dei, foi em meus loucos devaneios. Corpos nunca
entrelaçados, desejos jamais concretizados, que infelicidade a minha estar tão
próximo de minha amada e não toca-la não
ser correspondido.
Desgraça a
minha, ter de me distanciar daqueles lábios formosos embebidos no mais puro
néctar, seus cabelos dourados despertam mais desejos do que o próprio ouro, não
há no mundo algo mais precioso que tal
mulher, sua pele alva lembra me a inocência e sua languidez me desperta a
vontade de protege-la, nem mesmo suas roupas negras do luto tiram sua luz, dando
me o prazer de sua simpatia, sua companhia.
Me
aproximo e lhe apresento as peças de joia que havia encomendado, ela sorri me
dizendo:
- Bom
trabalho Sr. Anthony, esta cada dia melhor!
- É o meu
oficio, preciso ser bom no que faço! Obrigado pelos elogios.
- Se
importaria de colocar o colar em mim?
Hesitei um
pouco em atender o pedido. Ela não podia imaginar o que isso provoca em minha
alma, despertando minhas paixões.
- A peça
ficou muito bem na senhora, o verde das esmeraldas combinam com seus olhos.
As cores
pareciam se entrelaçar e me hipnotizavam. Parecia ter visto aquela cena em meus
sonhos, e passava a duvidar da realidade. Tudo se desfez quando seu mordomo
avisou lhe que visitas haviam chegado.
- Obrigado
Sr. Anthony- ela disse me tirando do transe que me encontrava, apenas olhando
para os minuciosos detalhes de seu rosto, formado por toques divinos – As joias
ficaram incríveis! James ira acompanha-lo até a saída.
Andando
pelas ruas movimentadas, continuo a pensar em minha amada, que parece ter poder
sobre meus pensamentos, como pude me apaixonar por uma moça nobre de família
tradicional , que nunca se casaria com um ourives, sem títulos, e sem vontade
de pertencer aos novos explorados, donos de fabricas, que destruíram a vida de
trabalhadores, como tantos da vila em que moro.
A angustia
só aumentava de pensar que Clare ficaria um tempo longe da cidade, na casa da
família em Manchester, e talvez iria demorar para recrutar meus serviços. Me
assusto ao ver Mollie correr em minha direção sorridente, abro os braços e ela
pula em meu colo, ambos felizes pelo encontro.
Essa
garotinha pertence a uma família muito humilde, que sofre pela perda do pai. O
Sr. Johnson foi um homem trabalhador, que fazia de tudo para garantir o
sustento de sua família, um velho amigo de meu pai, operário de uma fabrica,
onde trabalhava em péssimas condições, o que agrediu sua saúde. Após contrair
tuberculose, faleceu e deixou sua família desamparada. Sua esposa assumiu seu
cargo e começou a trabalhar, talvez aconteça o mesmo, e as meninas fiquem
órfãs.
Mollie me
pediu um pouco envergonhada:
- Sr.
Anthony, minha irmã arrebentou a correntinha que a protegia, e não temos como
pagar pelo concerto, ela esta muito triste, pois foi um presente de minha avó.
- Sem
problemas Mollie- disse interrompendo a menina- Eu concertarei com o maior
prazer!
- Muito
obrigada! – ela disse me abraçando forte- O senhor é um bom homem, seus pais se
orgulhariam.
- Digo o
mesmo criança! Agora vá para casa e amanhã entregarei a você.
Ela foi
embora alegre, e eu também, gosto de ajudar aquela família como posso. Não me
lembro de Anabela, irmã de Mollie, brincávamos juntos quando criança, mas
quando assumi o oficio de ourives, não a vi, isso data alguns anos, estou
ansioso para revê-la.
Na manhã
seguinte, concerto a corrente, e sigo para a casa dos Johnson. Me lembro do
quanto brincava com Anabela, sinto falta da inocência de criança, que só
encontrei no rosto de minha amada Clare, ambas se encontram distantes de mim.
Chego na
casa singela, a situação estava cada vez pior desde a morte de John, bato na
porta e aguardo. De repente algo vem animar meus olhos, uma mulher de beleza
arrebatadora me atende, cabelos negros como a escuridão da noite, que são
harmonizados com a alvura das estrelas marcadas por seu olhar e pela lua que
representa seu rosto. Seus olhos refletiam sua alma, pura, amargurada, mas que
se alegrava com a volta de um amigo. Pergunto a ela:
- Anabela?
É você?
-
Anthony?- Ela pergunta já com certeza de quem era- O que faz aqui?
- Sua irmã
me pediu um favor, e trouxe algo especial para você.
- Me
desculpe pela Mollie te incomodar, o que foi que ela pediu?
- Foi algo
muito nobre – disse mostrando a corrente- Ela não quer sua irmã desprotegida!
- Mollie!
Sempre aprontando! Muito obrigada, tenho algumas moedas, não sei se será o
suficiente para o concerto.
- Não
quero nada em troca, rever uma velha amiga já basta!- percebo que Anabela ficou
envergonhada e me despeço- Foi um prazer revê-la, espero te encontrar mais
vezes! Preciso ir até breve!
- Obrigada
mais uma vez, apareça por aqui, ficarei contente!
Pela
primeira vez alguém me tira Clare do pensamento, será Anabela meu verdadeiro
amor? Pretendo encontra-la mais vezes, e se meus sentimentos florescer, poderei
viver um relacionamento, e encontrar quem sabe, a felicidade que tanto almejo.
Os dias se
passaram e conforme o combinado, visito Anabela, me encanto cada vez mais com a
moça. Meu vislumbro por Clare vai se apagando, e encontro em minha amiga de
infância, um ombro mais que amigo, onde realizo meus sonhos, e atendo meus
anseios.
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