quarta-feira, 17 de abril de 2013

Título a definir


AUTORES:

Júlia Pereira Firmino
Bruna Corrêa da Silva
Rodrigo Amadeu Paulino
Vinicius Gonçalves Marçal



Capítulo I

Correndo em meio a multidão, me apresso para o tão aguardado encontro, desviando das pessoas que passam, essas que transcendem a imagem do país de 1872 , cansadas com todo o trabalho  e esforço que fizeram para se adaptar as mudanças  e ficam cada vez pior.
Ouço o soar das baladas, quando vem a mente a frase escrita no Big Ben “Deus salve nossa rainha Victoria”, o que me lembra a adorável Clare, jovem e destemida, que me espera para o chá, algo muito despretensioso para ela, e que me causa desespero e ansiedade.
Chegando em sua casa de veraneio, meu coração palpita mais rápido e o mordomo me conduz até a porta, que se abre e uma luz ofuscante me impede de ver nitidamente o que ali se passa. Sem me dar conta, sou fascinado pelas flores que parecem desabrochar para quem chega, um gramado verde se estende pelo chão como o mais nobre tapete sob o qual flutuamos, os pássaros cantam formando uma bela melodia, guiados pelo mestre da magnifica orquestra natureza.
Esse esplendido cenário, só não supera os encantos da linda mulher que o habita, um ser iluminado, que supera com força e coragem, as dores que o destino cruel e faceiro deixou. A morte de seu marido a abalou, mas não o suficiente para tirar a ternura de seus olhos, que prendiam os meus.
Nossos beijos calorosos, nossas manhãs risonhas,  nossas tardes apreciando o alvorecer, todos esses pensamentos enquanto a observo. Ela nota minha presença e se alegra, enquanto eu me entristeço, cada demonstração de amor que dei, foi em meus loucos devaneios. Corpos nunca entrelaçados, desejos jamais concretizados, que infelicidade a minha estar tão próximo de minha amada  e não toca-la não ser correspondido.
Desgraça a minha, ter de me distanciar daqueles lábios formosos embebidos no mais puro néctar, seus cabelos dourados despertam mais desejos do que o próprio ouro, não há no mundo algo mais precioso que  tal mulher, sua pele alva lembra me a inocência e sua languidez me desperta a vontade de protege-la, nem mesmo suas roupas negras do luto tiram sua luz, dando me o prazer de sua simpatia, sua companhia.
Me aproximo e lhe apresento as peças de joia que havia encomendado, ela sorri me dizendo:
- Bom trabalho Sr. Anthony, esta cada dia melhor!
- É o meu oficio, preciso ser bom no que faço! Obrigado pelos elogios.
- Se importaria de colocar o colar em mim?
Hesitei um pouco em atender o pedido. Ela não podia imaginar o que isso provoca em minha alma, despertando minhas paixões.
- A peça ficou muito bem na senhora, o verde das esmeraldas combinam com seus olhos.
As cores pareciam se entrelaçar e me hipnotizavam. Parecia ter visto aquela cena em meus sonhos, e passava a duvidar da realidade. Tudo se desfez quando seu mordomo avisou lhe que visitas haviam chegado.
- Obrigado Sr. Anthony- ela disse me tirando do transe que me encontrava, apenas olhando para os minuciosos detalhes de seu rosto, formado por toques divinos – As joias ficaram incríveis! James ira acompanha-lo até a saída.
Andando pelas ruas movimentadas, continuo a pensar em minha amada, que parece ter poder sobre meus pensamentos, como pude me apaixonar por uma moça nobre de família tradicional , que nunca se casaria com um ourives, sem títulos, e sem vontade de pertencer aos novos explorados, donos de fabricas, que destruíram a vida de trabalhadores, como tantos da vila em que moro.
A angustia só aumentava de pensar que Clare ficaria um tempo longe da cidade, na casa da família em Manchester, e talvez iria demorar para recrutar meus serviços. Me assusto ao ver Mollie correr em minha direção sorridente, abro os braços e ela pula em meu colo, ambos felizes pelo encontro.
Essa garotinha pertence a uma família muito humilde, que sofre pela perda do pai. O Sr. Johnson foi um homem trabalhador, que fazia de tudo para garantir o sustento de sua família, um velho amigo de meu pai, operário de uma fabrica, onde trabalhava em péssimas condições, o que agrediu sua saúde. Após contrair tuberculose, faleceu e deixou sua família desamparada. Sua esposa assumiu seu cargo e começou a trabalhar, talvez aconteça o mesmo, e as meninas fiquem órfãs.
Mollie me pediu um pouco envergonhada:
- Sr. Anthony, minha irmã arrebentou a correntinha que a protegia, e não temos como pagar pelo concerto, ela esta muito triste, pois foi um presente de minha avó.
- Sem problemas Mollie- disse interrompendo a menina- Eu concertarei com o maior prazer!
- Muito obrigada! – ela disse me abraçando forte- O senhor é um bom homem, seus pais se orgulhariam.
- Digo o mesmo criança! Agora vá para casa e amanhã entregarei a você.
Ela foi embora alegre, e eu também, gosto de ajudar aquela família como posso. Não me lembro de Anabela, irmã de Mollie, brincávamos juntos quando criança, mas quando assumi o oficio de ourives, não a vi, isso data alguns anos, estou ansioso para revê-la.
Na manhã seguinte, concerto a corrente, e sigo para a casa dos Johnson. Me lembro do quanto brincava com Anabela, sinto falta da inocência de criança, que só encontrei no rosto de minha amada Clare, ambas se encontram distantes de mim.
Chego na casa singela, a situação estava cada vez pior desde a morte de John, bato na porta e aguardo. De repente algo vem animar meus olhos, uma mulher de beleza arrebatadora me atende, cabelos negros como a escuridão da noite, que são harmonizados com a alvura das estrelas marcadas por seu olhar e pela lua que representa seu rosto. Seus olhos refletiam sua alma, pura, amargurada, mas que se alegrava com a volta de um amigo. Pergunto a ela:
- Anabela? É você?
- Anthony?- Ela pergunta já com certeza de quem era- O que faz aqui?
- Sua irmã me pediu um favor, e trouxe algo especial para você.
- Me desculpe pela Mollie te incomodar, o que foi que ela pediu?
- Foi algo muito nobre – disse mostrando a corrente- Ela não quer sua irmã desprotegida!
- Mollie! Sempre aprontando! Muito obrigada, tenho algumas moedas, não sei se será o suficiente para o concerto.
- Não quero nada em troca, rever uma velha amiga já basta!- percebo que Anabela ficou envergonhada e me despeço- Foi um prazer revê-la, espero te encontrar mais vezes! Preciso ir até breve!
- Obrigada mais uma vez, apareça por aqui, ficarei contente!
Pela primeira vez alguém me tira Clare do pensamento, será Anabela meu verdadeiro amor? Pretendo encontra-la mais vezes, e se meus sentimentos florescer, poderei viver um relacionamento, e encontrar quem sabe, a felicidade que tanto almejo.
Os dias se passaram e conforme o combinado, visito Anabela, me encanto cada vez mais com a moça. Meu vislumbro por Clare vai se apagando, e encontro em minha amiga de infância, um ombro mais que amigo, onde realizo meus sonhos, e atendo meus anseios. 

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